segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Impressão digital

Há tanta suavidade em nada dizer e tudo se entender. 

Não

O não é uma palavra redonda, fechada, pequena e o mundo lá fora é tão grande! O não fecha-me a boca, desliga-me a mente e apaga-me o coração. Quantos nãos são precisos, quantas lágrimas têm de morrer a meus pés para me acordar para a vida, me espicaçar, me fazer gritar “basta” do alto do meu ser absoluto e soberano que se impõe por sobre uma cascata de nãos, repetidos nãos, tristes nãos, cobardes nãos? Quanto esforço desumano para transformar mil nãos num pequeno sim, tímido, mas que se faz forte, pequena luz nascida da força que me vem dos nãos ouvidos, vividos, sofridos numa vida que se faz de busca e de coragem do sim! Quantos nãos! E para quê, se o sim é tão mais fácil e tão mais feliz do que o não?

domingo, 31 de julho de 2011

Conto de fim de ano que como todos tem algo de realidade!

"Lentamente, no improviso das coisas que nascem sem premeditação, foram-se conhecendo. Muitas foram as palavras que antes se disseram, revelando ideias, valores atitudes e cumplicidades. Foi um percurso não excessivamente longo, mas não tão curto que impedisse que a maturidade da comunicação fosse demasiado aérea, ou frágil pela fraqueza dos temas. Foram tempos de comunicação sem voz, até ao dia em que o olá surgiu na linhainesperadamente ao vivo, do outro lado do continente, voz grave e perfumada pelo sotaque, das ilhas distantes. Foi o começo de um saber estar, partilhar e vitalizar de sentimento impar. Pessoalizaram-se conhecimentos trocaram-se nas voltas e revoltas, das imensas componentes com que a vida é recheada. E assim foi até que o culminar de um frente a frente super divertido, envolvido de misterioso quase rocambolesco processo. Processo esse que exigiu um afinamento de agulhas para o que um conhecimento restrito à longo tempo, não fosse percepcionado pelos demais, que teriam de ter de permeio e independentemente da sua vontade. Sorrisos cúmplices, frases de circunstância, ditaram o caminho de um futuro sem fim à vista, mas que de certeza seria, foi, é ainda hoje uma parte das nossas vidas.
Muitas coisas se passaram desde então com maior confiança, abertura, confidência, união de quereres e vontades.
Depois, sim depois, uns cabelos desgrenhados, olhares atravessando espaço, trocando mensagens. Agora ali tão perto, mas na necessária distância que o decoro exigia, nos entremeios de um momento lúdico desportivo e com a vontade imensa de romper as etiquetas, do bom senso e partir para os confins sem travões.
Nunca, uma Ilha se tornara tão pequena, que a dimensão dos sentimentos dos corpos que a continham. Três dias de frente a frente, de caminhadas e sorrisos, de calores e pouco siso foram momentos incríveis. E de tal forma o foram, que algum tempo depois numa passageira permanência foram atrevidamente realçados em lábios saudosamente saboreados entre murmúrios e o avistar de ruidosos pássaros de metal.
Daí nasceram, sentidos, reacções e corpos que se soltaram em orvalhos maduros marcando rastos na intimidade. Mesmo na distância a sonoridade de um voz mexia na realidade libertando continentes de emoção.
Difícil será mesmo no interregno que a necessidade obriga, esquecer quem em nós está e vive como presença de plenos sentidos.
Inté, como quem diz, mais depressa que o que se pensa acontece o que não se espera."