domingo, 27 de novembro de 2011

O AMOR SEGUNDO OS TEUS OLHOS


O amor
segundo os teus olhos
é um momento espantoso
onde tudo é tão claro, tão puro.

Dentro de mim
é uma luz de essências
que servem de travesseiro aos anjos
que por ti se inspiram protegerem-me.

Olhando-te
olhos nos olhos
consigo até sentir mel na boca
que me sabe a ti, que só de ti saboreio.

O amor
segundo os teus olhos
é um espaço amplo, um espaço eterno.

É um lugar de poetas
onde a palavra amor é lua perfeita.

É um sabor macio
qual framboesa madura
me aroma floralmente o silêncio.

Teus olhos são pão do melhor trigo.

O teu olhar é um tinto
vermelho-granada de sabor intenso
que torna cada amanhecer uma sinfonia
de emoções que sinto generosidade da vida.

Olhares-me
é um banquete de fantasias
e arco-íris onde convidas singela
o meu corpo dançar à melodia das cigarras.

O amor
segundo os teus olhos
é uma linda alva de fábulas
por onde a minha alma parte até ao infinito.

Segundo os teus olhos,
amar-te é um mundo à parte
por toda a parte de qualquer mundo.

Teus olhos
são arrojo de beijos pomposos
que abrilhantam pérolas na tua voz.

O amor
segundo os teus olhos é o meu amar o mar.

É um jardim épico
onde o teu corpo é a fotossíntese
das flores com que perfumas meus olhos de amor. 
Autor Desconhecido

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão boa,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente connosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando-lhe
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso clube perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhámos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade..

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

(Carlos Drummond de Andrade)

Reflexões

Momentos