terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vais ficar sozinho. E isso é bestial

"Gastamos muita energia para tentar garantir que não ficamos sozinhos. Queremos ter a certeza que vai lá estar sempre alguém para nos compreender e animar. O que faria todo o sentido, não fosse um pequeno pormenor: isso é impossível.
Quer seja durante 1 hora ou 1 década, vamos ficar sozinhos. O problema não é esse. O problema é o que significa ficar sozinho na nossa cabeça.
Estar sozinho assusta porque sugere que vamos ficar desamparados. Como se ninguém se preocupasse connosco. Fazemos muitas coisas para não nos sentirmos assim: começar uma relação sem futuro, comprar um cão, passar horas na internet, ou culpar outros…mas nada disso vai ao fundo da questão.
Na realidade o que nos assusta não é uma coisa exterior a nós. O que nos assusta somos nós. É o que vamos pensar e sentir quando estivermos apenas connosco. Se não estamos com ninguém, estamos condenados a passar tempo connosco. E como muitas vezes não gostamos de nós próprios… fazemos tudo para não estar sozinhos.
Ficar sozinho pode ser uma coisa bestial, precisamente porque nos força a estar bem connosco. Essa aprendizagem – por muito longa ou dolorosa que possa parecer – não tem comparação com a liberdade, força e coragem que vamos ganhar.
Quem evita estar sozinho vive sempre em medo. Tem medo do pode vir a acontecer e de como se vai sentir. E caso tenha alguém, vai estar sempre com medo de perder essa pessoa. Por outro lado quem está bem consigo, está bem com toda a gente: saber estar a sós consigo mesmo, muda a forma como se está com qualquer pessoa.


Estar sozinho, mesmo quando gostariamos de estar acompanhados, não tem que ser um drama.
Querias estar a ver filmes com a pessoa de quem gostas, e não estás. So what?
Querias ter companhia a dar um passeio ou almoçar fora, e não tens. So what?
Querias poder falar do teu dia e como te estás a sentir, e não podes. So what?

Basta de dramas. O que fazemos com o tempo que nos é dado? Lamentamos-nos do que não temos e como ninguém nos compreende, ou fazemos alguma coisa em relação a isso?
Os problemas enfrentam-se, não se evitam. Temos que aprender a viver a nossa vida, sozinhos. Não porque não podemos confiar em ninguém, ou porque o mundo é mau, mas porque mais ninguém o vai fazer por nós. Há coisas que vamos sempre viver sozinhos quer seja porque naquele momento não há ninguém, ou porque não podemos falar, ou simplesmente porque não adianta nada partilhar.
Claro que ninguém quer estar sempre sozinho, nem sentir-se abandonado. Mas nos momentos em que ficamos a sós connosco, ou os aproveitamos ou não. Seguramente já experimentámos momentos em que estamos sozinhos e estamos óptimos. Momentos em que vivemos o que temos e aproveitamos isso ao máximo. Viver assim é uma escolha nossa: se ninguém cuida de nós, então cuidamos nós."
Só uma coisa é garantida: vamos ficar sozinhos. E isso vai ser bestial.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Amar é muito mais sentir do que dizer...

Tentei lhe dizer muitas coisas, mais acabei descobrindo que amar é muito mais sentir do que dizer. E milhões de frases bonitas, jamais alcançariam o que eu sinto por você.

 José de Alencar

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Não gosto de Natal...

.
"Não gosto de Natal
frio, injusto,
desse jeito comercializado...

Uns com tanto,
outros em prantos...

Tristes, marginalizados!

Não gosto de celebrar
pela metade.

Enquanto a outra metade,
dorme nas calçadas,
nos becos sujos, escuros...

Sem lugar pra armar
a tal d’árvore!

Ah, sem motivo algum
pra celebrar
um Natal frio, injusto...

Uns com tanto,
em banquetes de luxo...

Outros, de barriga roncando!

Prostrados,
os pés descalços, nos muros
daqueles becos sujos...

Escuros... sem lugar
pra tal d’Árvore de Natal."

domingo, 22 de dezembro de 2013

Há dias em que ficar em silêncio é a melhor forma de tornar tudo menos distante!


"Há dias em que ficar em silêncio é a melhor forma de tornar tudo menos distante.
Há dias em que a possibilidade de realizar o sonho é tão pequena que devemos fechar
os olhos para torná-lo grande novamente.
Há dias em que a escuridão não nos deixar ver e é preciso usar as mãos para sentir a
forma das coisas.
Há dias que a nossa dor é maior que o mundo e é preciso olhar a imensidão do céu para
que ela se torne apenas um pontinho no mundo.
Há dias em que nada acalma, que a irritação é maior e é preciso arrancarmos todo o ar
possível para preencher o nosso peito.
Há dias em que a alma sufoca e é preciso gritar, bater... pra o nosso corpo se tornar
mais leve.
Há dias em que uma música toca fundo, aperta... e é preciso tentar apagar os
pensamentos pra não se afogar nos sentimentos.
Há dias em que a solidão toca fundo e é preciso inventar uma companhia para que ela
não nos sufoque.
Há dias em que o tornado é forte e não há outra opção, é segurar-se forte em algum
lugar para não ser levado e machucado por ele.Há dias que você só precisa saber que é
preciso dar passos para seguir em frente e melhorar a postura, o corpo entende e a
vida continua.
Há dias que só é preciso dormir para esquecer um pouco do mundo."

sábado, 21 de dezembro de 2013

Relacionamentos Virtuais!!!

Fui absolutamente rendida pelo poder das relações virtuais. Acredito que é possível conhecer alguém por e-mail, se apaixonar por e-mail, odiar por e-mail, tudo isso sem jamais ter visto a pessoa. As palavras escritas no computador podem muito. Mas nem sempre enxergam a verdade.

São sete horas de uma manhã chuvosa. Você não dormiu bem à noite. Põe pra tocar um som instrumental que deixa suas emoções à flor da pele. Vai para o computador e começa a escrever para alguém especial as coisas mais íntimas que lhe passam no coração. Chora. Escreve. Olha para a chuva. Escreve mais um pouco. Envia.

São onze horas da noite deste mesmo dia. O destinatário da sua mensagem está dando uma festa. Todo mundo fala alto, ri muito, rola a maior sonzeira. Ele pega uma cerveja e dá uma escapada até o computador. Abre o correio. Está lá a mensagem. Um texto longo que ele lê com pressa. Destaca algumas palavras: "a saudade é tanta... sozinha demais... dividir o que sinto..." Papo brabo. Responderá amanhã. Deleta.

Alguém pode escrever com raiva, escrever com dor, escrever com ironia, escrever com dificuldade, escrever debochando, escrever apressado, escrever na obrigação, escrever com segundas intenções. Nada disso chegará no outro lado da tela: a pressa, a hesitação, a tristeza. As palavras chegarão desacompanhadas. Será preciso confiar no talento do remetente em passar emoção junto de cada frase. Como pouquíssimas pessoas têm esse dom, uma mensagem sensível poderá ser confundida com secura, tudo porque faltou um par de olhos, faltou um tom de voz.
Se você passou a desprezar alguém, pode escrever "não quero mais te ver". Se você ama muito alguém, mas a falta de sintonia lhe vem machucando, pode escrever "não quero mais te ver".

Uma mesma frase e duas mensagens diferentes. Palavras são apenas resumos dos nossos sentimentos profundos, sentimentos que para serem explanados precisam mais do que um sujeito, um verbo e um predicado. Precisam de toque, visão, audição. Amor virtual é legal, mas o teclado ainda não dá conta de certas sutilezas.

 Martha Medeiros.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo...

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. (...) Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ás vezes...

"Ás vezes me revelo, as vezes me recolho para deixar doer, doer até sangrar. Este processo por vezes é necessário, para poder voltar refeita, inteira... Existe no silêncio tão profunda sabedoria, que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta."