sábado, 5 de abril de 2014

A verdade da mentira!



Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos.
Enfim, um local onde se faz o retrato do país em que vivemos e que muitos bem gostariam de ver melhor!
 
Por: Helena Sacadura Cabral
 
 
 A verdade da mentira
 
Talvez aquilo que menos perdoo seja a mentira. 

Ela mina a confiança, que é base vital da vida em comum, seja na esfera privada, seja na esfera pública.
Até no casamento considero que a falta à verdade é motivo mais que suficiente para um divórcio. E sei do que falo.

Talvez por isso respeite pouco quem faz da mentira profissão. 

E se outros dolorosos motivos não tivesse para detestar a política - um sogro, um cunhado, um marido e dois filhos, nessa área que infernizou a minha vida - a sistemática falta à verdade daqueles que a exercem, conduzir-me-ia ao mesmo resultado.

Assim, depois da dose dupla que foi ter ouvido o PM - lá longe onde estava - prometer que não haveria mais cortes em salários e pensões e ter assistido à entrevista de Ricardo Costa a Durão Barroso -
transformado no cordeiro da paz - a garantir não ter qualquer ambição de ser Presidente da República, fechei a tv com a certeza de que iríamos mesmo assistir ao contrário do que qualquer deles afirmara.
Porquê, perguntarão? Porque a palavra dos políticos - governo e oposição - está mais gasta do que eu. 

Com a vantagem, para mim, de nunca ter feito uma plástica na vida...

Será que a gente que nos governa e a gente que a ela se opõe, não terá ainda percebido que no momento que atravessamos, a verdade da mentira já não convence ninguém?!
 
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Bombas de AMOR!



Bombas de AMOR!
Desconstrói,
Desmorona,
Demoliu,
Derrubou,
Desmontou,

 Desabou…. E tantas são as vezes que o mundo se apresenta na nossa vida como uma desconstrução caótica, uma demolição inesperada numa palavra, um sopro de vento demolidor …
Mas quais foram os teus pilares para a tua vida? O que construíste? O que edificaste?
Não foi Amor, o Amor não desaba, não destrói, não derruba o teu Ser, não destrói a relação, não desaba a tua missão, não demoliu um lar, então?
Onde andas a construir a tua vida?
Quais são os teus pilares de Criação?

Quando vais CRIAR e CO-CRIAR a tua vida assente em Pilares de AMOR?


Isabel Gonçalves


segunda-feira, 24 de março de 2014

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

 

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

As Palavras consomem-me o Raciocínio...

Vagueiam na minha Mente como Dançarinas Árabes...

As suas Letrinhas saltam Delirantes no Jardim do meu Cérebro...
Pedem-me, amiúde, para as Organizar por Turmas e lhes dedicar Temas...
Eu sou o Professor de Filosofia e Elas o meu Recital...
 Pego nas Letras sempre com um Júbilo Renovado próprio de quem vai de Novo Renascer...
Transformo-as em Palavras fazendo Delas a minha Família Narrativa...

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

As Letras estão no Recreio e Sinto a sua Irreverência...

Não vou conseguir facilmente Esgrimir Frases porque elas Dançam Mirabolantes...
Não vou conseguir facilmente Inventar Palavras pois elas Rodopiam Ofegantes...

Eu sou o Professor de Filosofia e elas o meu Recital...

 Amanheço com a Simbiose que me Germina a Literatura...
Adormeço com o Paladar que a Poesia me Ensina...

As Palavras consomem-me o Raciocínio...

Nelas vejo o Despeito, a Inveja, a Lascívia e o Enamoramento...

Adoro fazer Castelos de Cartas com as Letritas Rebeldes que a minha Imaginação Alimenta...
Adoro Amamentar a minha Música Interior com o Som Profano que a sua Emoção Fotografa...

Faço o Sumário da minha Vida todos os dias quando Acordo...
As Letras projectam-se no meu Universo construindo Imagens Bíblicas...

 As Palavras saltitam Imberbes sob o meu Olhar Fixo e Mundano...
As Frases acompanham-me numa Viagem sem Fim…
A Caminho da Vida...

Hoje não tenho sobre O que Escrever...

As Letras estão no Recreio e Sinto a sua Irreverência...
Vou Ficar a Observá-las...

 Paciente...
Orgulhoso...
Intimidado...

Olho o Céu…
Cerro os Olhos…
Ouço unicamente uma Sinfonia de Palavras…
Vou Chamar-lhes…The Dancing Words…

Autor desconhecido


quinta-feira, 20 de março de 2014

O Amor é Mais Forte


Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o café descafeinado. Já ninguém quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paixão. As emoções fortes são fracas e as próprias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, são igualmente namorados da monotonia e amigos íntimos da disciplina. O que está fora de controlo causa-lhes confusão, e afecta-lhes uma certa zona do cérebro, mas quase nunca lhes toca o coração. O amor devia ser sonhado e devia fazê-los voar; em vez disso é planeado, e quanto muito, fá-los pensar. 
 Sobre o amor não se tem controlo. É um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois dá-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais além. Deixamo-nos cair em tentação, e não nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor também se tem fé, mas não se conhecem orações: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor não é justo, não é perfeito; no amor não se declaram sentenças nem se proferem comunicados. O amor prefere ser imprevisível, cheio de riscos e de fogo cruzado. No amor os braços não se cruzam, as palavras não se gastam e os gestos servem para o demonstrar. Amar também é lutar, e enfrentar monstros fabulosos com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. É uma ilusão, um sonho, um absurdo e uma fantasia. O amor não se entende, não se interpreta, não se discerne nem se traduz. Quem ama acredita, mas não sabe bem porquê, não sabe bem o quê, nem percebe bem como. 
Rogério Fernandes, in 'Alterne Activo'

segunda-feira, 17 de março de 2014

De onde vem a nossa dor...





 A dor nas costas vem das costas, a dor de estômago vem do estômago, a dor de cabeça vem da cabeça. E sua dor existencial, vem de onde? Ela vem da história que você meio que viveu, meio que criou – é sabido
que contamos para nós mesmos uma narrativa que nem sempre bate com os fatos. Nossa memória da infância está repleta de fantasias e leituras distorcidas da realidade. Mesmo assim, é a história que decidimos oficializar e passar adiante, e dela resultam muitas de nossas fraturas emocionais. Nossa dor existencial vem também do quanto levamos a sério o que dizem os outros, o que fazem os outros e o que pensam os outros – uma insanidade, pois quem é que realmente sabe o que pensam os outros? Pensamos no lugar deles e sofremos por esse pensamento imaginado. Nossa dor existencial vem dessa transferência descabida.Nossa dor existencial, além disso, vem de modelos projetados como ideais, a saber: é melhor ser vegetariano do que comer carne, fazer faculdade de medicina do que hotelaria, namorar do que ficar sozinho, ter filhos do que não ter, e isso tudo vai gerando uma briga interna entre quem você é e entre quem gostariam que você fosse, a ponto de confundi-lo: existe mesmo uma lógica nas escolhas? Como se não bastasse, nossa dor existencial vem do que não é escolha, mas destino: quem é muito baixinho, ou tem cabelo muito crespo, ou é pobre de amargar, ou tem dificuldade de perder peso vai transformar isso em uma pergunta irrespondível – por que eu? – e a falta de resposta será uma cruz a ser carregada. Nossa dor existencial vem da quantidade de nãos que recebemos, esquecidos que somos de que o “não” é apenas isso, uma proposta negada, um beijo recusado, um adiamento dos nossos sonhos, uma conscientização das coisas como elas são, sem a obrigatoriedade de virarem traumas ou convites à desistência. Nossa dor existencial vem do bebê bem tratado que fomos, nada nos faltava, éramos amamentados, tínhamos as fraldas trocadas, ninavam nosso sono, até que um dia crescemos e o mundo nos comunicou: agora se vire, meu bem. Injustiça fazer isso com uma criança – alguém aí por acaso deixou totalmente de ser criança? Nossa dor existencial vem da incompreensão dos absurdos, da nossa revolta pelos menos favorecidos, da inveja pelos mais favorecidos, da raiva por não atenderem nossos chamados, por cada amanhecer cheio de promessas, pela precariedade das nossas melhores intenções e pela invisibilidade que nos outorgamos: por que nunca ninguém nos enxerga como realmente somos? Dor de dente vem do dente, dor no joelho vem do joelho, dor nas juntas vem das juntas. Nossa dor existencial vem da existência, que nenhum plano de saúde cobre, de tão difícil que é encontrar seu foco e sua cura.
 MARTHA MEDEIROS

domingo, 16 de março de 2014

É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe


É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

NUNO JÚDICE

quinta-feira, 13 de março de 2014

São réstias de sol...


São réstias de sol
ou a chuva que cai de mansinho.
E também a lua escondida
e as estrelas que já foram brilhantes.

Os olhares escondidos nas trevas
ou as palavras doces dos amantes.
E também os gestos descobertos
e o deserto gelado e as coisas ínfimas
que nos atraem ou nos repelem.

E somos nós e os outros
ou alguns e todos e nenhum.
E talvez aqueles que são
e não parecem.
Em lado nenhum.

Paula Raposo