terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Olhava este momento que ia desaparecer, com saudade – porque nunca mais se repetiria no mundo. Nunca mais outro segundo igual nem na luz, nem na vibração, nem na ternura…
O momento em que me sorriste, baloiçado entre o nada e o nada, nunca mais se voltaria a repetir, idêntico e completo, em todos os séculos a vir! Estava ali a morte… está aqui a vida. Agora pergunto a mim mesmo se te deixo morrer; e a pergunta obsidia-me e exige resposta imediata. Sei tudo, tudo o que me podes dizer – já eu o disse a mim próprio. Até hoje falava a alguma coisa que me ouvia, hoje só interrogo a mudez, só a mim próprio me interrogo.
Raul Brandão
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Quantos anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas, valem muito mais que isso...
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto. Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos. Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa? Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto...
José Saramago
domingo, 27 de setembro de 2015
Quantos anos tenho?
Quantos anos tenho?
Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas, valem muito mais que isso...
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto. Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos. Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa? Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto...
José Saramago
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Tenho Saudades da Carícia dos Teus Braços
Tenho saudades da
carícia dos teus braços, dos teus braços fortes, dos teus braços
carinhosos que me apertam e que me embalam nas horas alegres, nas horas
tristes. Tenho saudades dos teus beijos, dos nossos grandes beijos que
me entontecem e me dão vontade de chorar. Tenho saudades das tuas mãos
(...) Tenho saudades da seda amarela tão leve, tão suave, como se o sol
andasse sobre o teu cabelo, a polvilhá-lo de ouro. Minha linda seda loira,
como eu tenho vontade de te desfiar entre os meus dedos!
Tu tens-me
feito feliz, como eu nunca tivera esperanças de o ser. Se um dia alguém
se julgar com direitos a perguntar-te o que fizeste de mim e da minha
vida, tu dizes-lhe, meu amor, que fizeste de mim uma mulher e da minha
vida um sonho bom; podes dizer seja a quem for, a meu pai como a meu
irmão, que eu nunca tive ninguém que olhasse para mim como tu olhas, que
desde criança me abandonaram moralmente que fui sempre a isolada que no
meio de toda a gente é mais isolada ainda.
Podes dizer-lhe que eu tenho
o direito de fazer da minha vida o que eu quiser, que até poderia fazer
dela o farrapo com que se varrem as ruas, mas que tu fizeste dela
alguma coisa de bom, de nobre e de útil, como nunca ninguém tinha
pensado fazer.
Sinto-me nos teus braços defendida contra toda a gente e
já não tenho medo que toda a lama deste mundo me toque sequer.
Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)"
Subscrever:
Mensagens (Atom)




