quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo...

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. (...) Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ás vezes...

"Ás vezes me revelo, as vezes me recolho para deixar doer, doer até sangrar. Este processo por vezes é necessário, para poder voltar refeita, inteira... Existe no silêncio tão profunda sabedoria, que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta."

Sensação

algo
estranho no ar
algo
diferente
mas tão óbvio
sentimento abrupto
melancolia bruta
tudo em stand-by
algo
estranho chegando
não sei o que é
mas o sinto
e é forte
e isso
me paralisa
me choca
me faz
querer voltar
para a toca
 
 Mô Schnepfleitner

sábado, 7 de dezembro de 2013

UMA NOITE CLARA

Uma noite como outra qualquer, contudo deveras escura
Momento onde olho para os lados e nada percebo
Um instante de silêncio gritante que angustia
Fantasmas do passado rondam, atormentam, esfriam.

Passear, sim, caminhar sem destino, sem tempo ou correria
Ruas repletas de pessoas, mas ninguém vejo
Sorrisos espalhados ao vento e nada escuto
Crianças brincando eufóricas, nada sinto.

Mar a minha frente, seu cheiro me anima, envolve-me
Sapatos na mão, areia sob os pés, água entre os dedos
Vento gostoso que me acaricia o corpo
Estrelas no céu que pulsam o tempo todo.

Sento-me na areia, aprecio aquela divina imagem
Ondas do mar a todo instante dançando ao ir e vir
Estrelas brilhantes convidando-me a sorrir
Nuvens que me dizem “vem deitar-te aqui”.

No horizonte surge a minha frente uma bola avermelhada
Lentamente ganhando o céu, linda, imponente, majestosa
O satélite dos beijos enamorados, inspiração dos versos apaixonados
A bela lua que cresce e míngua sem pedir licença deixando o mundo encantado.

Percebo que catástrofe ou tormenta alguma irá mudar esta verdade
Haja o que houver as ondas do mar e o brilho da lua continuarão seu passeio
Por mais densas que sejam as nuvens as estrelas continuarão brilhando
Adversidades podem bloquear nossa visão, ainda assim tais maravilhas existirão.

Vejo que não faço idéia de quantos grãos existem num punhado de areia
Mas entendo que sou eu quem escolherá por quais milhares irei trilhar
Resolvo abrir os olhos ao que me cerca e enxergar a tudo com clareza
E entendo que tenho o poder de não permitir que um tropeço faça-me cair.

Os fantasmas do passado que nele fiquem
E não serão os reveses do presente que me farão parar de seguir em frente
Escolho cultivar no hoje a paz para o amanhã
Permitindo que gloriosamente a vida continue andando em seu curso natural.

O mundo com sua centena de dias e milhares de horas
A cada segundo possibilita-me mudar a história
E ali sentado sozinho percebi que posso escolher o que estou sentindo
Repentinamente tudo ao meu redor mostrou-se lindo.

Agora vejo as pessoas caminharem, escuto os seus sorrisos
As crianças brincam eufóricas e me vejo repleto de emoção
Sorrio ao mundo e ele me devolve paixão
Não, definitivamente não foi uma noite qualquer, ela foi lindamente clara.

Henrique d’ Almeida

Continuo vivendo e aprendendo.

Eu sou feito de Sonhos interrompidos detalhes despercebidos amores mal resolvidos. Sou feito de Choros sem ter razão pessoas no coração atos por impulsão. Sinto falta de Lugares que não conheci experiências que não vivi momentos que já esqueci. Eu sou Amor e carinho constante distraída até o bastante não paro por um instante. Já Tive noites mal dormidas perdi pessoas muito queridas cumpri coisas não prometidas. Muitas vezes eu Desisti sem mesmo tentar pensei em fugir,para não enfrentar sorri para não chorar. Eu sinto pelas Coisas que não mudei amizades que não cultivei aqueles que eu julguei coisas que eu falei. Tenho saudade De pessoas que fui conhecendo lembranças que fui esquecendo amigos que acabei perdendo Mas continuo vivendo e aprendendo.

Martha Medeiros

sábado, 30 de novembro de 2013

Um amor não é feito só de sentimentos...

Um amor não é feito só de sentimentos, e nem só de planos, e nem só de atos heroicos e nem só de ações.
Um amor, quando é bem grande, fica tão grande que precisa se tornar presente, precisa ser expressado e concretizado.
Talvez porque todo amor, mesmo novinho, mesmo cheio de esperança de durar sabe que é frágil e que pode acabar antes mesmo de conseguir renovar-se.
E precisa deixar muitos sinais, muitas marcas para ser lembrado.
Porque o sonho de todo amor, se não puder ser eterno, é ser assim: Inesquecível.

Vinícius de Moraes

sábado, 23 de novembro de 2013

Quase...

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que incomoda, que entristece, que mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que
se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa
maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou
melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos
sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que
sussurrados. Sobra covardia e falta de coragem até pra ser feliz. A paixão
queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os
dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina,
não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz
dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance;
para as coisas que não podem ser mudadas, resta-nos somente paciência.
Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a
oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance
cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade
sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que
sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora
quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Luiz F. Veríssimo