quinta-feira, 6 de março de 2014

Tanto. E sempre...


Gosto de gostar de ti.
Adoro amar-te tanto.
Amo adorar-te assim.

Quando me dou, gosto de me dar por inteiro.
Quando gosto não me sei dar só um pouco. Quando gosto não consigo deixar um pouco de mim comigo. Não gosto com cautelas. Não amo com precaução.

E não adoro só uma metade tua. Não gosto só de uma selecção de primeira escolha de ti. Não amo só as qualidades. Não convivo só com os lados felizes. Não gosto só do bonito de ti.

E quando me gostas como eu te gosto; quando me entendes como eu te entendo; quando me olhas como eu te olho; quando me sentes como te sinto: gosto de nós e amo gostar de nós.

Tanto. E sempre.

  Rita Leston 
 
 
 

terça-feira, 4 de março de 2014

E vi no brilho dos teus olhos a resposta que tanto esperava:..


Eu me encontrei em um emaranhado de perguntas onde achava impossível ter a resposta.
Vivo intensamente cada segundo que o sol me proporciona, e mesmo quando exausto do seu brilho, ele me entrega a serenidade do clarão da lua que reina absoluta.
Vim a este mundo para declamar a força dos ventos, o poder da terra, o calor do fogo, e transparência da água e me inebriar com as grandes tempestades que refletem a euforia do céu, enfim, eu vim para te provar que faço parte da realeza dos tempos, que não existem tormentos, nós é que damos maior proporção as minúcias, a resolverem-se rapidamente.
E vi no brilho dos teus olhos a resposta que tanto esperava:
Eu já era amado e não percebia, por que certa vez me dissestes que não se pronuncia o amor, apenas o sentimos, e te amei em silêncio e tive a certeza que este sentimento só é verdadeiro quando dói....E te falo com a intensidade da alma que está doendo !!!
 
 30/11/2013 O SILÊNCIO DO GOSTAR

  Beto Gávea
 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

És um deles? Parabéns!


A infância de quem nasceu nos anos 60, 70 e 80

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
 
 Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas à prova de crianças, ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar à frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.
 
 Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque os óleos de fritar não continham gorduras trans e estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões.
Depois de acabarmos num monte de silvas, ou contra uma parede qualquer e aprendíamos. 
 
 Ou não…
Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.

Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

A televisão tinha apenas dois canais e tinha-mos de madrugar ao domingo para ver os desenhos animados que um senhor chamado Vasco Granja apresentava.

Não tínhamos Play Station, X Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.
 
 Tínhamos amigos. Se os quiséssemos encontrar íamos à rua.
Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!
Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Aprendíamos a andar de bicicleta, na bicicleta do pai ou do vizinho e chegávamos a casa com os joelhos todos esfolados.

Batíamos ás portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola. Não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem, ou nos fossem buscar.
 
 Criávamos jogos com paus e bolas. Brincávamos ao pião e ao prego. Jogávamos à carica e ao berlinde, às três covinhas.
Jogávamos à bola na rua e era na rua que aprendíamos a jogar futebol. O conceito pagar para estar numa escola de futebol era algo que seria, no mínimo, estranho e sem qualquer sentido para nos nossos pais.

As meninas saltavam à corda. Brincavam às casinhas e às enfermeiras.

Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem. Eles estavam do lado da lei e dos professores.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
 
 Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

És um deles? Parabéns!
 
 
Autor desconhecido

Robert Doisneau photography
 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Desvios...


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"

Momentos

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Gostava de Escrever sobre Algo que Já Esqueci...


Gostava de Escrever sobre Algo que Já Esqueci...

Não sobre Memórias Trucidadas pelo Tempo...
Não Exactamente sobre Lembranças Colhidas pelas Páginas Opacas da Vida...

Gostava de Escrever sobre os Rostos Inertes de Olhares Inexistentes...

Não obviamente sobre Fracções de Vida que os Minutos Esgotam...
Não claramente o Céu Varrido pelo Vento que se Dissipa no Horizonte...

Gostava de Escrever sobre Algo que Já Esqueci...

Regressar ao Passado Longínquo e Absorver os Nadas que ficaram Por Dizer...
Regressar ao Passado Presente e juntar-lhe os Tudos que Repousam Levitando... 

 Voltar a Escrever Histórias de Embalar num Profundo Silêncio...
Voltar a Escrever Amargas Noites em Dias Simétricos...

Rebuscar o Baú dos Sentimentos e Descobrir Rasuradas Lembranças...
Mergulhar na Placenta Do Passado e Voltar Assim...

Com uma Mão Cheia de Tudo e um Olhar Vazio de Cetim...

Gostava de Escrever sobre Algo que já Esqueci...

Sobre como Eu era na Puberdade dos Sonhos...
Sobre o que Eu dizia no Inverno da Minha Gestação...

Sobre o que Eu fazia quando a Tristeza Me Invadia...

Sinto-me a Respirar por Trás do Vidro que Me Separa de Mim Mesmo... 

 Vivo...
Ainda...

Ou Será que já Me Esqueci?!

Com uma Mão Cheia de Tudo e um Olhar Vazio de Cetim...


Autor desconhecido

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

NÃO QUERO MORRER…..


Apareceu, por mão amiga, este texto de Júlio Isidro que dá para este fim de semana dar ânimo a todos os que bem pensam sobre o nosso futuro.

NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!!
NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO  PARA  JÁ SABER TUDO!
 Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.
E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.
Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.
Sou dos que acreditam na invenção desta crise.


Um “directório” algures  decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.
Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.
Parece que  alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.
Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.
Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado  que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.
Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro  entre os medicamentos e a comida.
E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.
A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães.
 Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.
Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.
Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.
Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.
Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.

Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas  há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.
Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.
Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…
Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?
E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.

Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.
E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.
Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.
E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…
Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.
E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.
É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.
 Júlio Isidro