quinta-feira, 31 de maio de 2012

QUANDO TUDO SE DESMURONA..........!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Devia existir um manual de instruções para acabar relações. A verdade é que sabemos sempre começá-las, agarramo-nos aos inícios com a sabedoria dos mágicos, operámos transformações milagrosas em nós próprios e no objecto do nosso amor, de repente tudo nos é fácil e grato, sentimo-nos com asas como albatrozes, nas nossas costas cresce uma capa encarnada e carregamos no peito o símbolo do Super Homem, tudo é óbvio e santo visto assim,.... "o mundo não é um mundo é um jardim",.... como diz Florbela Espanca. Não há nada melhor do que começar uma relação. O novo é irresistível. Descobrem-se coincidências que vão desde o mesmo nome dado ao irmão imaginário até à mesma colecção de cromos. É a primeira vez outra vez em tudo. Descobrimos o outro em nós e nós no outro. Descobrimos que afinal gostamos de futebol e sabemos cozinhar e até uma visita ao Mosteiro de Alcobaça para ver o túmulo de Pedro e Inês de Castro é muito romântico, porque foram criaturas que morreram de amor. No inicio de todos os inícios sentimo-nos tão estupidamente felizes que seríamos capazes de morrer a seguir, porque achamos que atingimos o ponto máximo possível da felicidade. O pior vem a seguir. Como dizia o Picasso ....."bom mesmo é o início porque a seguir começa logo o fim"...... E quando o fim chega já é tarde demais para voltar atrás. É sempre tarde demais, porque isto do amor é mesmo uma coisa complicada, começa-se do nada, vive-se na ilusão que se tem tudo, mas o que fica quando o amor acaba é um nada ainda maior. E o pior, o pior é que na primeira oportunidade repetem-se os mesmos erros à espera de resultados diferentes, o que é um boa definição de demência. E quem se considere imune a tais disparates e nunca tenha passado por estas avarias sentimentais, que atire a primeira pedra.

O Miguel Sousa Tavares escreveu ....."primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que aparece onde antes estava a intimidade." ....E pronto, já está tudo estragado. Acaba-se a festa, o delírio, o fogo de artifício, o sabor da novidade e onde vamos parar? Ao vazio. Ao abismo. Ao grande buraco negro dessa coisa horrível e inevitável que se chama depois, depois de se apagar a chama. É esta a condição humana, doa a quem doer.
Ou então, a ironia da vida separa os amantes para sempre e o fim do amor é o início do mito do amor eterno. Pedro e Inês foram sepultados de frente um para o outro, para que se pudessem ver, caso regressassem ao mundo. Romeu e Julieta nunca mais se separaram no imaginário Ocidental. Dante viveu para sempre ao lado de Beatriz, a Penélope recuperou o seu guerreiro depois de 20 anos de espera.
O amor esse mistério que antecede a vida e sobrevive à morte, reina como um tirano por cima de todas as coisas, mas poucos são os que o conseguem agarrar. É mais difícil de alcançar do que o Olimpo, porque não está nem no céu nem na terra, paira como uma substância invisível, mais leve que o ar, mais profundo que toda a água dos oceanos.Talvez seja apenas uma invenção dos homens para fugir à morte.
Ou talvez tenha outro nome na bioquímica. Mas não podemos viver sem ele e quando o perdemos achamos que nunca mais o vamos conseguir encontrar.

 Lyonyllyonyl

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Tributo ao tempo

Tudo o que vive não vive sozinho, nem pra si mesmo. "Dizem que a vida é curta, mas não é verdade. A vida é longa para quem consegue viver pequenas felicidades.

E essa tal felicidade anda por aí, disfarçada, como uma criança traquina brincando de esconde-esconde.

Infelizmente às vezes não percebemos isso e passamos nossa existência colecionando nãos: a viagem que não fizemos, o presente que não demos, a festa que não fomos, o amor que não vivemos, o perfume que não sentimos.

A vida é mais emocionante quando se é ator e não espectador; quando se é piloto e não passageiro, pássaro e não paisagem, cavaleiro e não montaria.

E como ela é feita de instantes, não pode nem deve ser medida em anos ou meses, mas em minutos e segundos. Esta mensagem é um tributo ao tempo.

Tanto àquele tempo que você soube aproveitar no passado quanto àquele tempo que você não vai desperdiçar no futuro. Porque a vida é agora..."

"Não tenha medo do futuro, apenas lute e se esforce ao máximo para que ele seja do jeito que você sempre desejou"

"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O direito de ser anormal

O que você acha disso ou daquilo? Pouco me importa!

O interessante em tudo é que as coisas nem sempre são exactamente do jeito que parecem. Aliás, isso quase nunca acontece, o que não deixa de ser normal. Ou melhor, comum. Porque a acepção que damos à palavra normal não deveria nem existir, já que, na prática não existem pessoas normais ou não. O que existe na verdade são padrões de comportamentos para a boa convivência em nível social que costumam ser seguidos para se conquistar a desejada aceitação. Esse é o bom e velho senso comum, mas nada disso significa que, no âmago dos seus seres, as pessoas mantenham esse mesmo padrão aceito socialmente nos seus pensamentos internos ou nos seus anseios mais íntimos.

Afinal de contas, o que é ser normal?

Fazer tudo como diz uma certa regra que não sei quem disse que é correto sem precisar nem questionar a real motivação ou intenção de tudo isso?

Não. Isso não é ser normal e muito menos um anormal. É simplesmente ser escravo de um tirano que nem se sabe direito quem é. E o pior: ele vive dentro de você.

O entendimento comum diz que normal é o oposto de louco. Nesse caso ‘normal’ seria o mesmo que ‘são’. Mas para ser normal, dentro dos parâmetros da nossa sociedade superficial e hipócrita é negar os mais profundos instintos da natureza humana, acarretando milhares e milhares de problemas, que geram isso, aquilo e leva o mundo a essa infindável sensação de desnorteio, de dúvida, de indecisão, de estar cada dia mais perdido, de sintomas psicóticos...

Ser normal é ser são? Prefiro pensar que se permitir certas loucuras é o passe livre para verdadeira sanidade, só que essa palavra acaba virando uma grande limitação. É só analisar a complexidade da realidade que, de um ponto de vista conservador, pode ser considerada meio insano.

Por isso, todos os dias depois que acordar, olhe-se no espelho e, com um sorriso de orelha a orelha, brade bem forte: “Eu sou um anormal!” Por mais que sua vizinha de 75 anos diga “Deus me livre e guarde” ao ouvir seu grito às 7 da matina, você vai começar a se livrar desses pré-conceitos que aprisionaram a mente dessa sua mesma vizinha, fazendo-a achar tudo que é novo, diferente e fora dos padrões é simplesmente “horrrrrrível” (a acentuação do ‘r’ é uma necessidade no linguarejar geriátrico).

Está na hora de se quebrar os velhos paradigmas. Está na hora de reconhecer o ponto de mutação e ser verdadeiramente livre.

Mas que diabos ser livre realmente quer dizer?

Livre não é aquele que se enquadra a todas as normas impostas pela sociedade. Livre é aquele que sabe conviver com tudo isso, caminhando harmoniosamente entre os dois extremos sem vê-los como opostos, mas como partes complementares da mesma coisa, e ainda ter plena consciência da sua individualidade.

Ainda estamos andando aos trupicões em busca desse objectivo, mas como diria o velho lobo Zagallo, “nós vamos chegar lá.
Marcelo Gavini

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Quem é você?


Quem é você?
Que mexeu com meus sentimentos,
Reacendeu a chama esvaecida,
Iluminou a escuridão dos meus dias!

Quem é você?
Que na sombra dos meus pensamentos se esconde,
Que tornou os sonhos possíveis,
Mas quando o chamo não responde!

Quem é você?
Que acelerou meu coração,
Tirou-me a razão,
Encheu-me de esperança,
Mas furta-me sua presença!  
Quem é você?
Tecelão de sentimentos que
emaranhados teceu
com fios dourados entrelaçados,
enredando-me a alma!

Quem é você?
Que surgiu do nada como um espectro
E de mansinho meu corpo tomou.
Mesclou seu prazer com minha solidão,
fortalecendo-me a alma combalida!

Quem é você?
Que os meandros de minha feminilidade explorou,
Que versos poéticos à luz da Lua cantou
E uma saudade dolorosa deixou!

Quem é você?
Homem inacessível,
Aos meus olhos invisível,
Mas presente em minha pele!

Quem é você?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Tapando o vazio com um letreiro barato...

Pessoas vazias, ocas, são as que se submetem incondicionalmente ao seu próprio raciocínio. Julgam-se estas, desde milênios, e de maneira esquesita, possuidores do direito absoluto de impor suas convicções restritas, usando da lei e da violência também sobre aqueles que desejam viver de conformidade com outras convicções.

Essa arrogância totalmente ilógica reside, por sua vez, apenas na restrita capacidade de compreensão do que chamo de seres humanos de raciocínio, os quais não conseguem elevar-se mais alto. Exactamente a limitação lhes traz um assim chamado clímax de compreensão, facto pelo qual têm de surgir tais ilusões presunçosas, por acreditarem que se encontram realmente nas alturas máximas. De facto , para eles, assim o é, pois há ali um limite que não coneguem transpor.

Seus ataques contra os que buscam o conhecimento mostram, contudo, nitidamente, através da incompreensivel odiosidade tantas vezes manifestada e observada de perto, o brandir do chicote das trevas atrás deles. Raramente se encontra algo de intenção sincera, nessas investidas hostis, que justifique, mais ou menos, a maneira de tão abominável procedimento. Na maioria dos casos se trata dum desencadear de cólera cega, a que falta qualquer lógica verdadeira. Examine-se com toda a calma tais ataques.

Raros são os artigos cujo conteúdo mostre a intenção de entrar objectivamente nas palavras escritas ou pregadas pelos que procuram o conhecimento. Surpreendente de todo é que a inconsistente mediocridade dos ataques se evidencia sempre exactamente por uma ausência absoluta de objectividade. Constituem sempre, às claras ou às escondidas, insultos à pessoa que busca o conhecimento.

Age dessa forma só mesmoquem não tem nada a contrapor objectivamente. A palavra deve ser submetidade a exame, e não a pessoa! Mas é costume de tais seres humanos de raciocínio procurar primeiro focalizar a pessoa, para depois considerar se podem dar ouvidos às bsuas palavras. É que eles, dada a estreita limitação da capacidade de compreensão, precisam de se agarrar em exterioridades, a fim de não se confundirem.

Eis a construção vazia que eles levantam e que é inaproveitável aos seres humanos; um grande estorvo para o progresso. Se no íntimo dispusessem de um apoio seguro, então confrontariam simplesmente coisa contra coisa, deixando de lado as pessoas. Não conseguem fazê-lo, todavia. Evitam isso, outrossim, conscientemente, porque pressentem ou sabem em parte que num torneio bem organizado logo cairiam da sela. Suas amiudadas alusões ironicas ao " pregador leigo" ou às " exposições de leigos" põem à mostra assim tanta presunção ridícula. que cada ser humano sensato logo intuirá: " Emprega-se um escudo aqui, a fim de esconder por todos os meios um estado oco. Tapar o próprio vazio com um letreiro barato!"




terça-feira, 10 de abril de 2012

A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projecto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei, se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesma. Elas estão começando a perceber que se sente fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Flávio Gikovate